Declaração de Iperó
26/01/2026O Governo da República Federativa do Brasil
e
O Governo da República Argentina,
Levando em conta os compromissos assumidos nas Declarações Conjuntas de Foz de Iguaçu, Brasília e Viedma,
REITERAM
- Sua firme convicção na importância da energia nuclear para o desenvolvimento econômico e social de seus povos e reafirmam o direito inalienável de desenvolver, sem restrições, seus programas nucleares para fins pacíficos.
DECLARAM:
- Sua satisfação pelos progressos que vem registrando a cooperação nuclear entre os dois países, cujas bases foram lançadas pela Declaração de Iguaçu, mediante a criação do Grupo de Trabalho sobre Política Nuclear.
- A importância da identificação, realizada pelo Grupo de Trabalho, das áreas prioritárias para o desenvolvimento da cooperação, consubstanciadas no Protocolo nº 11 sobre informação imediata e assistência recíproca em casos de acidentes nucleares e emergências radiológicas, e seus anexos, e no Protocolo nº 17, sobre Cooperação Nuclear.
- Seu contentamento pelos avanços alcançados na cooperação bilateral na área nuclear, com destaque especial para os campos de técnicas de salvaguardas, segurança nuclear, reatores rápidos, e intercâmbio, com vistas à complementaridade dos setores nucleares dos dois países, sobretudo no que tange ao fornecimento recíproco de equipamentos e materiais.
RESSALTAM:
- O fato de que a cooperação bilateral na área nuclear introduziu formas inéditas de colaboração, ensejando a crescente realização de visitas, contatos em nível político e técnico e intercâmbio significativo de informações, contribuindo em seu conjunto para a consolidação da confiança mútua.
- A plena coincidência das posições brasileiro-argentinas diante das principais questões internacionais na área nuclear.
- Sua vontade de estender a cooperação a todos os países latino-americanos que estejam interessados em dela participar.
DESTACAM:
- No contexto do compromisso inabalável de ambas as nações de utilizar a energia nuclear para fins pacíficos, o gesto altamente significativo que representou a visita do Presidente Sarney à Usina de Enriquecimento de Urânio de Pilcaniyeu.
- No mesmo contexto, a importância fundamental da visita do Presidente Raúl Alfonsín ao Centro Experimental de Aramar, em Iperó, oportunidade em que os dois Presidentes o inauguram, com a entrada em funcionamento da unidade Almirante Álvaro Alberto da usina de enriquecimento isotópico de urânio.
- As visitas técnicas complementares às referidas usinas, em um e outro caso.
- O fato de que ambas as instalações representam testemunhos inequívocos da capacidade dos dois povos de desenvolver tecnologias de ponta por meios próprios, para fins pacíficos.
DECIDEM:
- Aperfeiçoar os mecanismos de cooperação política e técnica existentes, através do incremento de visitas e intercâmbio de informações, com o objetivo de ampliar o conhecimento recíproco dos respectivos programas nucleares, de forma a otimizar a complementaridade tecnológica e aprofundar a confiança recíproca.
- Transformar em Comitê Permanente o Grupo de Trabalho Conjunto criado pelo item 4 da Declaração de Iguaçu, com o objetivo de empreender e coordenar iniciativas nas áreas política, técnica e empresarial do setor nuclear. O Comitê Permanente reunir-se-á a cada 120 dias, alternadamente no Brasil e Argentina, para tratar de todos os temas de interesse mútuo na área nuclear. Outrossim, o referido Comitê poderá celebrar reuniões adicionais no nível acordado entre as Partes.